Formei e agora? #1

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O que acontece ao se graduar? Leia mais à respeito!

Formar é sempre o desejo daqueles que por 5 anos trilharam o caminho de incisivo ao siso, de filamentos de colágeno às seis chaves de oclusão e da cirurgia oral maior. Realmente é um esforço enorme. E merecido, viu? Tu chegou aqui e não é uma das coisas mais fáceis. O nono período te dá o gostinho da festa, do diploma e do tão sonhado CRO. Vou te dar um spoiler:é ótimo viu?”, vai sem medo.

A festa de formatura vem e será lembrada pra sempre. E o diploma? O diploma também. Quem vos escreve ainda não recebeu o dele por causa da burocracia da faculdade, que vida…

Eu vi vários amigos se graduarem, em faculdades particulares e federais. Alguns graduaram mais cedo e outros nem tanto. Devo ter prestado atenção em umas 250 pessoas se formando durante alguns anos. É um universo pequeno comparado ao tamanho da nossa classe em nível nacional, mas eu posso afirmar, com alguma certeza, que a maioria das pessoas tem um certo friozinho na barriga sobre a vida após a graduação. Eu já respondi muita gente perguntando “Marcos, será que eu abro consultório?”, “Quanto custa montar um consultório?”, “Onde eu vou trabalhar?”, “Será que tem espaço pra mim?”. Para quase a totalidade dos graduandos, essas dúvidas e muitas outras são plausíveis. Sabe porque? Pois, após formado, não existem mais provas, trabalhos em grupo/individuais, mas existe uma pergunta existencial e talvez dramática… O “e agora?”

Agora nós temos muitos caminhos a seguir meu/minha colega. Não se desespere. Se você não sabe pra onde vai, eu sugiro que ainda não faça escolha alguma. Você já viu o filme Alice no País das Maravilhas? Lembra-se do gato Cheshire? A Alice havia perguntado para ele qual caminho ela deveria tomar, mas ela não sabia onde queria chegar… O gato, então, disse que qualquer caminho serviria.

qual caminho escolher lopes odontologia
Se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve.

Então meu conselho se você não sabe o que quer é:

“Tire uma semana de folga e pense bem. Sério…”

Das muitas possibilidades na Odontologia, podemos dividi-las em dois caminhos: o didático/acadêmico e o clínico/laboratorial. Desses dois caminhos surgem as mais diversas formas de trabalho, emprego, remuneração, perspectiva profissional, etc. Seja qual caminho você escolher, não pense no dinheiro no início. A coisa não é tão boa… Você vai ganhar pouco no começo, provavelmente. A exceção, claro, se você tem uma megaestrutura já montada com pacientes cadastrados de alta remuneração.

No início é sempre difícil. Vai ter gente falando para você prestar concurso público por causa da estabilidade, mas já vai um aviso… Os salários não costumam ser tão bons, mas dinheiro não compra satisfação. Lembre-se disso. Eu falo sempre para pessoa fazer a escolha dela, mas seja qual alternativa ela optar, que não fique reclamando da vida depois. Oras, fazer o que não gosta e continuar fazendo é estupidez, no mínimo. Mas se… Por acaso você for trabalhar no serviço público visando faça com capricho. Se futuramente você tem planos em montar sua clínica privada, eu diria que essa é uma boa opção. Você trabalha no serviço público, faz sua reserva financeira e abre o teu consultório/clínica.

Lembre-se… Saiba o que você quer.

Se te serve de consolo, eu tenho um pai dentista que me pagou o consultório e ainda reformou o ambiente. Ficou bonito, nada exagerado. Para sua informação, o meu primeiro faturamento mensal após a reforma foi de, pasmem, R$77,83. Sem tirar nem por. Hoje, o cenário é bem diferente. Então, se tem algo bom que eu posso te dizer é que não desista.

Mas espera… Ainda não falamos do cenário acadêmico. Então, vamos lá… Quando estamos na graduação, nós vemos que nossos professores são doutores. Eu digo que isso ocorre na maioria das vezes nas faculdades federais. Até o momento, o exame de seleção leva em conta o nível da pós-graduação dos candidatos. Lembre-se que os doutores são a preferência e talvez o nível estritamente exigido, sem alternativa para mestres e/ou especialistas.

Não é necessário fazer um mestrado para fazer um doutorado, mas é bem difícil que isso ocorra. A opção lógica seria cursar um mestrado que dura em média 2 anos e em seguida submeter-se para um programa seletivo de doutorado, duração média de 4 anos. Após feito o doutorado, pode-se candidatar e concorrer em igualdade com outros candidatos nas faculdades federais de Odontologia.

Não sei se você percebeu… Mas esse processo vão te tomar, no mínimo, seis anos de vida. Por isso é importante saber se você realmente quer.

UMa semana de reflexão pode mudar o  seu rumo por longos anos

No entanto, caso você tenha tido sucesso no seu mestrado e doutorado, poderá ingressar no tão seleto grupo de professores de Odontologia de faculdades públicas. O trabalho não é pouco, mas pelos professores que conheço eu diria que é extremamente gratificante. Eu mesmo tenho vontade de ser, admiro a maioria dos meus professores e vejo que além do fato de ser pesquisador e lecionar, existe o reconhecimento dos alunos do seu professor e vice versa. Um professor, quando famoso, conta com a admiração de outros colegas e da sua equipe de trabalho.

[…] mas e como que eu sobrevivo durante todo esse tempo?

Olha eu não sei como funciona nas instituições privadas, mas posso te dizer como funciona nas federais. Geralmente, o edital de seleção te explica se haverá disponibilidade de bolsas de pós-graduação. Essas bolsas são um auxílio mensal por um determinado tempo que o estudante recebe para se manter, contanto que entre nos requisitos para isso. Geralmente esses requisitos é não ter trabalho remunerado em um determinado raio em quilômetros da instituição e que esse estudante esteja entre as vagas contempladas com bolsa. Isso quer dizer que se houverem 3 bolsas de graduação, provavelmente, serão para os três primeiros colocados no exame de seleção que não atendam com algum dos critérios de exclusão para a vaga de bolsista. Se você não for contemplado com a bolsa terá que se manter por outra forma.

Eu disse que o início não era fácil né, mas não desista.

Seja qual for sua escolha, faça-a com carinho e realize a atividade com empenho para que faça bem feito. Uma coisa eu posso te garantir pela prática… É algo particularmente notório na clínica. Fazer bem é nada menos que o mínimo, fazer bem feito te faz crescer. Agora, maravilhar o teu paciente te alavanca rápido.

Vai por mim.

Eu tenho muitas ideias para publicar nessa coluna “Formei e agora”, mas queria que você pudesse contribuir também para que o conteúdo fosse feito especialmente para vocês. Caso tenha interesse em uma ajudinha de quem está do outro lado do muro, deixe sua sugestão aqui nos comentários que eu vou atender o pedido.

Te espero nos próximos artigos e desejo uma semana/fim de semana de muita alegria!

Grande abraço,

Marcos Lopes

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